publicado em 15 de Fevereiro de 2012
Iniciativa da SES-MG, curso teve como propósito debater tópicos como "Diagnóstico precoce", "Manejo clínico adequado, baseado em reavaliações periódicas e hidratação", "Detecção de sinais de alarme" e "Manejo dos casos graves".
por Guilherme Amorim
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Casa cheia para a exibição da aula especial "Manejo Clínico da Dengue", no Canal Minas Saúde. Transmitido nesta quarta-feira, ao vivo, o programa foi criado com o objetivo de orientar as equipes e profissionais de saúde quanto aos principais pontos a serem adotados no momento de diagnosticar, examinar, estadiar e acompanhar os pacientes com dengue.
Para tratar de temas como diagnóstico, classificação de risco, alta hospitalar, estadiamento, sinais de alerta, entre outros tópicos, estiveram presentes os médicos infectologistas da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Tânia Marcial e Frederico Figueiredo Amâncio. Além disso, o programa também contou com a participação dos alunos do 8º período de Medicina da Faculdade de Ciência e Ecologia Humana (FACEH), de Vespasiano. Na oportunidade, os acadêmicos fizeram perguntas aos convidados e assistiram de perto às considerações dos especialistas.
Para o infectologista da SES-MG, Frederico Amâncio, um dos principais equívocos cometidos pelos profissionais de saúde é o não reconhecimento dos próprios sinais e sintomas de Dengue, que geralmente são febre, prostração, dor no corpo, entre outros. Muitas vezes, isso ocorre porque essas manifestações são confundidas com os sintomas de outras doenças virais, como gripe, resfriado. "Outro equívoco que ocorre é o não reconhecimento dos sinais de alarme, que são os que prenunciam casos de maior gravidade, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes", observa.
Quando o médico não reconhece os sinais, o paciente pode até receber alta hospitalar, procedimento contrário ao recomendado, que é internação e imediata hidratação intravenosa. Por isso, é importante focar nesses sintomas, para que não se coloque em risco a vida de um paciente. "O curso reforça esses pontos principais, lembra o médico a pesquisar sempre os sinais de alarme, reforça a importância de se fazer uma anamnese, colher a história clínica do paciente, fazer o exame físico de forma sistemática e organizada, para a gente ter condições de tomar decisões clínicas", aponta.
Por isso, como destaca a médica infectologista da SES-MG, Tânia Marcial, num primeiro momento em que há a suspeita da doença, o procedimento inicial para atendimento dos pacientes "é avaliar se esse paciente tem suspeita, febre de dois a sete dias, se tem outros sinais sugestivos de dengue". Outra ação fundamental é que "o paciente passe pela classificação de risco, para que se saiba a qual grupo ele pertence, se é um paciente que precisa ser internado ou que pode ser acompanhado em domicílio", explica.
Já no caso dos pacientes mais graves, principalmente aqueles que já apresentam sinais de choque, que precisam de tratamento intensivo, é importante que a equipe já comece todas as medidas para, depois, procurar vaga para internação. "Dengue é uma doença fácil de se tratar. É questão de prestar atenção ou de intervir no momento correto, o que pode ser dificultado tanto pela falha do profissional, como também pelo próprio paciente, que demora a procurar assistência. Isso é o mais importante no manuseio da dengue", completa.
Para aluno de Medicina da FASEH, Weslei Martins, essa inciativa é importante para que "o aluno de medicina possa interagir, entrar mais em contato com a prevenção de patologias de doença, para que possamos agir preventivamente na promoção à saúde", enfatiza. Já para a aluna Telma Viana Martins, a participação nesse curso da SES-MG foi bastante válida, pois "é importante a gente se atualizar sempre nos assuntos que estão em voga e é importante, também, pois faz parte da conscientização dos alunos. A gente leva isso para casa, também para o nosso dia a dia", ressalta. Outro ponto é a preparação para, mais adiante, fazer a diferença na abordagem dos casos de dengue. "Temos a preparação dentro do próprio currículo, que são os sinais e sintomas, a identificação do paciente com dengue, mas toda vez que a gente vem para esses cursos, recebe um dado novo, uma nova informação, que vai acrescentar e ajudar a gente a diagnosticar e resolver o mais rápido possível a situação daquele paciente", finaliza.
Aula especial
O curso "Manejo Clínico da Dengue" é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Direcionado a profissionais de saúde, tanto da atenção básica como da urgência e emergência, teve como proposta discutir tópicos como "Diagnóstico precoce", "Manejo clínico adequado, baseado em reavaliações periódicas e hidratação", "Detecção de sinais de alarme" e "Manejo dos casos graves".
Dessa forma, a SES-MG buscou orientar melhor os médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros profissionais de saúde que trabalham na atenção básica como agentes comunitários.
Fotos: Guilherme Amorim