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Falar alto

publicado em 31 de Outubro de 2011

Cuidados com a saúde da voz

Especialista e profissional do rádio orientam quanto aos riscos e ações preventivas para cuidar da saúde vocal.

por Guilherme Amorim

Você sabia que a voz é uma das mais importantes ferramentas de trabalho? Imagine, por exemplo, o quão imprescindível ela é para professores, radialistas e operadores de telemarketing.

Segundo informações do Departamento de Voz da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa), estima-se que 5 a 8% da população apresentam dificuldades vocais que podem atrapalhar a comunicação. Entre esses problemas estão a rouquidão e o esforço/cansaço ao falar.

As pessoas que mais trabalham com a voz são consideradas grupo de risco para a incidência desses problemas, justamente pelo tempo de exposição da voz nas condições de trabalho. Se não acompanhados, esses sintomas podem evoluir até mesmo para o câncer de laringe.

De acordo com o otorrinolaringologista da Sociedade Mineira de Otorrinolaringologia, Antônio Lobo Neto, o câncer de laringe, quando diagnosticado em fase inicial, apresenta altos índices de cura definitiva. Apesar disso, a procura tardia pelo tratamento, além do tabagismo e o abuso do álcool ainda fazem com que o Brasil seja o segundo no ranking de prevalência dessa doença, conforme dados da Academia Brasileira de Laringologia e Voz (ABLV).

Prevenção

O mau uso e abusos da voz submetem as cordas vocais a alguns traumas, que acabam por favorecer o surgimento de lesões, tais como nódulos, pólipos e cistos. Segundo Lobo, a identificação dos pacientes de risco para essas lesões, o estabelecimento de medidas preventivas e o diagnóstico e tratamento precoces daquelas já instaladas “podem evitar que alterações passíveis de tratamento clínico possam evoluir para quadros mais avançados com necessidade de cirurgia, por exemplo”, observa.

Para orientação, o médico reforça que rouquidão ou perda de voz não podem ser considerados sintomas corriqueiros ou normais. “Quando isso ocorre, significa que alguma coisa de errado está ocorrendo nas cordas vocais”, aponta. De um modo geral, no entanto, conforme Lobo, as alterações vocais mais simples costumam ceder em alguns dias. Do contrário, se as alterações da voz persistirem por mais que duas ou três semanas, ou passarem a ocorrer de maneira repetitiva e intermitente, é recomendado que a pessoa procure auxílio médico.

Locutora de rádio, Cecilia Kruel segue os cuidados ditos tradicionais. Além de se prevenir contra as gripes, que afetam as cordas vocais, também recorre a medicamentos fitoterápicos (como o mel de própolis), que a ajudam muito em casos de irritação na garganta. "Descansar sempre é muito importante. Cansaço vocal é diário, por isso bebo sempre muita água na temperatura ambiente", explica Cecília. A locutora conta com o apoio de um otorrinolaringologista, a quem recorre em casos mais sérios, como o de uma rouquidão. "A fonoaudióloga também tem um trabalho muito importante para quem trabalha com a voz, além de ajudar a melhorar refluxos, cansaço entre outros sinais", conta.

O tempo de exposição da voz é uma preocupação presente, inclusive, nas determinações legais (Lei Nº 6.615/1978), reforçada pelo sindicato dos radialistas. Para locução, caso de Cecília, recomenda-se o máximo de cinco horas diárias de trabalho, além das folgas semanais. Mais do que isso, a atuação com a voz, diariamente, pode ser comprometida. "É importante saber que a voz é também um reflexo do corpo e da mente. Por isso, os cuidados com a saúde em geral e o equilíbrio emocional também são importantes na hora da locução", completa.