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Doença Crônica

publicado em 28 de Maio de 2012

Lúpus provoca manchas na pele e pode estar ligado ao fator emocional

Tratamento adequado e exames periódicos garantem melhor qualidade de vida para pacientes

por Wander Veroni

Caracterizado como uma doença crônica auto-imune que provoca manchas rosadas na pele e atinge mais o público feminino, o Lúpus afeta cerca de cinco milhões de pessoas, segundo uma estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS). Por ser também uma doença inflamatória no qual a pessoa nasce com a predisposição genética, ainda existe muito preconceito e falta de informação, conforme alerta a médica reumatologista Dra. Fabiana de Miranda Moura dos Santos, que é membro da Sociedade Mineira de Reumatologia.

“O Lúpus não passa de pessoa para pessoa. É importante deixar claro que ninguém pega de ninguém. A pessoa nasce com predisposição genética para o Lúpus e, em um determinado momento, acontece ou não um gatilho inicial para a manifestação da doença, que pode vir por vários motivos, inclusive do âmbito emocional. A doença tem tratamento e é necessário fazer um acompanhamento de forma regular para ter uma melhor qualidade de vida”, diz a Dra. Fabiana.

Com duas manifestações clínicas distintas, o Lúpus pode ser Eritematoso acometendo a superfície da pele (também chamado de lúpus discóide) ou ainda apresentar o lúpus sistêmico, no qual há envolvimento de outros aparelhos e sistemas do organismo. No caso específico das mulheres que usam maquiagem com freqüência, a reumatologista dá uma dica importante. “Quando a lesão esta em cicatriz não tem problema algum usar maquiagem. O problema é quando está inflamado, o que pode piorar e trazer uma alergia no local e piorar o quadro”, recomenda.

Apesar do Lúpus ser uma doença que não tem cura, é possível ter uma vida saudável seguindo as recomendações médicas, como é o caso da Coordenadora de Relações Internacionais da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, Priscila Gomes da Silva, de 25 anos. Por volta dos 10 anos de idade, ela descobriu que estava com Lúpus por conta de algumas manchas no rosto. Priscila conta que o início foi bastante difícil, principalmente pela proibição de tomar sol e por ter que tomar uma grande quantidade de remédios. Hoje, de acordo com Priscila, a doença já está controlada

“O choque é grande no início, mas é preciso ter calma e paciência, pois a doença pode se agravar com um estado emocional abalado. Faço o controle de exames e vou ao médico a cada três meses. É possível levar uma vida normal, mas com os cuidados de não tomar sol, tomar os medicamentos direitinho. Passo também filtro solar 60 todos os dias nas partes que poderão ficar expostas à radiação solar. Tudo isso já é rotina para mim e não me incomoda ter que repeti-la todos os dias”, afirma Priscila.

Segundo as orientações passadas pela Dra. Fabiana de Miranda, Priscila faz muito bem em se prevenir dos raios ultravioleta. “A exposição prolongada à luz é algo que deve ser evitado e, quando feito, deve-se ter bastante cuidado. O recomendado é uso de filtro solar mesmo. Geralmente, o lúpus não dá coceira, mas as escamações quando não tratadas podem gerar feridas, inflamações e outras complicações. No mais, e importante salientar que o Lúpus, quando não levado o tratamento a sério, pode levar a morte. O paciente que faz acompanhamento e segue as orientações consegue ter uma melhor qualidade de vida e bem estar”, diz a médica.