Dramin Efeitos Colaterais – Da sono?

O Dramin, utilizado principalmente na prevenção e no tratamento de náuseas, tontura e vômitos em geral, é um dos medicamentos mais mencionados nas redes sociais. Muitos usam para dormir, misturam com cerveja e até mesmo para andar de ônibus. Mas quais são os riscos do uso indiscriminado do Dramin?

O Saúde Entrevista desta semana é com a farmacêutica do Conselho Federal de Farmácia, graduada em Farmácia Clínica e Industrial pela Universidade de Brasília, especialista em Vigilância Sanitária pela Pontífica Universidade Católica de Goiás e mestre em Patologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, Luana de Castro Oliveira.

Para que serve o Dramin e quais os princípios ativos?

O Dramin é um medicamento antiemético, cujo princípio ativo é o anti-histamínico dimenidrinato, responsável por sua atividade farmacológica. É utilizado principalmente na prevenção e no tratamento de náuseas, tontura e vômitos em geral, incluindo os vômitos e enjoos da gravidez, no pré e pós-operatórios, após tratamento com radioterapia e na prevenção de enjoos e vômitos associados a movimentos de viagem (cinetose). O dimenidrinato é mais eficaz quando administrado antes da ocorrência do evento que se quer combater (enjoo e vômito). Existe ainda um uso menos comum do dimenidrinato no tratamento de distúrbios vestibulares (vertigem e labirintite, por exemplo).

Quais os riscos para a saúde do uso indiscriminado do Dramin?

dramin efeitos colaterais

Entre os efeitos adversos mais comuns do Dramin estão sonolência, tontura, dor de cabeça, visão embaçada, secura da boca e das vias aéreas. Os pacientes em uso de dimenidrinato devem ser avisados de que o medicamento pode diminuir sua habilidade de executar atividades que exijam um estado de alerta ou coordenação motora, como dirigir veículo. Além disso, o uso concomitante com outros depressores do sistema nervoso central, como álcool e barbitúricos, pode potencializar o efeito sedativo, por isso, o uso deve ser evitado ou monitorado por profissional.

Pacientes asmáticos, com glaucoma (aumento da pressão intraocular), enfisema pulmonar (alteração das estruturas dos pulmões), doença pulmonar crônica, dificuldade em respirar (dispneia) e dificuldade para urinar (disúria) devem tomar este medicamento com cuidado, pois o dimenidrinato pode piorar os sintomas destas doenças.

Por que o Dramin é vendido livremente na farmácia, sem a necessidade da receita médica?

O Dramin é um medicamento que deve ser vendido sob prescrição médica. No Brasil, segundo a lei nº 5.991 de 1973, que dispõe sobre o controle de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, os medicamentos com venda sob prescrição médica só devem ser dispensados pelo farmacêutico mediante a apresentação deste documento. No entanto, para a dispensação de muitos medicamentos, e entre eles o Dramin, não é obrigatória a retenção da receita médica no ato de sua dispensação.

Sendo assim, existe um problema sanitário nacional de grandes proporções, que é a venda indiscriminada de medicamentos que devem ser dispensados com receita, mas que muitas vezes não o são, devido à inexigibilidade de retenção de receita pelo estabelecimento e a uma cultura entre os pacientes de que essa inexigibilidade desobriga o cidadão de apresentar a receita no ato da aquisição do medicamento. Cabe então, ao farmacêutico, segundo o código de ética que regula a profissão, exigir a apresentação da receita médica antes da dispensação do medicamento e orientar os pacientes quanto aos potenciais riscos da automedicação.

Na busca de solução para o problema da dispensação de medicamentos de venda sob prescrição médica sem a apresentação desta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, instituiu, por meio da Portaria nº 668/2013, uma força de trabalho, envolvendo diversos segmentos e organizações, dentre eles o CFF. Esta força de trabalho tem como finalidade propor medidas para estimular o uso racional dos medicamentos, com foco na exigência da prescrição no ato da dispensação.

Quais as medidas cabíveis ao Conselho Federal de Farmácia para coibir a venda indiscriminada de medicamentos?

De modo geral, a fiscalização do cumprimento da legislação sanitária é de responsabilidade da Anvisa e das Vigilâncias Sanitárias locais (estadual ou municipal). Os Conselhos Regionais de Farmácia, no âmbito da fiscalização do exercício profissional, também atuam por meio da educação continuada para que os farmacêuticos que dispensam medicamentos em estabelecimentos comerciais e públicos exijam a prescrição do médico e orientem os pacientes quanto aos possíveis riscos da automedicação.

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) e o Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos (Cebrim/CFF) atuam também na educação continuada, por meio da publicação de boletim, notas técnicas, alertas e informes em seu sítio na internet (http://www.cff.org.br Cebrim/CFF).

Além disso, o CFF participa da força de trabalho instituída pela Anvisa para promover o uso racional de medicamentos, com foco na exigência da prescrição no ato da dispensação. Além disso, a instituição da prescrição farmacêutica, assunto em pauta atualmente, visa combater a automedicação, autorizando o farmacêutico a prescrever medicamentos sem tarja (isentos de prescrição), que hoje são utilizados, na maioria das vezes, sem a orientação adequada.

Dessa forma, além de dispensar o medicamento, o farmacêutico passa a ser uma valiosa fonte de informação ao paciente no local de distribuição dos medicamentos e contribui para conscientizar o usuário sobre os riscos da automedicação.

Qual a importância do uso responsável dos medicamentos, mesmo aqueles que não necessitam de receita médica?

O medicamento é um importante recurso terapêutico quando usado de forma correta, sob orientação de um profissional da saúde. No entanto, devido à disponibilidade de medicamentos de venda livre e à cultura da medicalização, onde para todo mal há uma “pílula”, muitas vezes o próprio paciente se medica por conta própria sem medir riscos e benefícios desse ato. Geralmente, o problema é que o usuário não recebe a devida orientação sobre os riscos a que está submetido, assim, certas precauções deixam de ser tomadas. Consequentemente, podem surgir complicações à saúde do usuário e, ocasionalmente, levar inclusive o paciente à hospitalização ou morte.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *