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Home»Saúde»Encoprese: o que é, causas, sintomas e tratamento

Encoprese: o que é, causas, sintomas e tratamento

abril 19, 20245 Mins Read Saúde

Encoprese é a defecação involuntária, freqüente após a idade de controle esfincteriano, causada por constipação, estresse ou fatores emocionais. O tratamento envolve terapias comportamentais e, às vezes, medicamentos.

Sintomas de Encoprese

A encoprese, uma condição também conhecida como incontinência fecal em crianças, manifesta-se através de uma variedade de sinais observáveis. Um dos sintomas mais evidentes é a passagem involuntária de fezes em lugares inapropriados, como na roupa ou no chão, após a idade em que o controle intestinal é normalmente esperado (geralmente após os 4 anos de idade). Outro indicativo pode incluir a ocorrência de constipação crônica, com fezes grandes e duras que são difíceis de expelir. Algumas crianças podem apresentar um padrão de esvaziamento intestinal intermitente, demonstrando hesitação ou recusa em usar o banheiro. Dor abdominal e desconforto, juntamente com irritação ou comichão na área anal devido à exposição frequente a fezes, também podem estar presentes. Em alguns casos, o vazamento de fezes líquidas ou semi-líquidas pode acontecer, o que é frequentemente confundido com diarreia. Esse fenômeno, conhecido como “overflow” fecal, ocorre quando fezes líquidas se movem ao redor de um bloqueio de fezes sólidas no cólon. Além dos sintomas físicos, a encoprese pode acarretar em impactos psicológicos, incluindo vergonha, frustração ou baixa autoestima na criança afetada.

Possíveis causas

A gama de causas potenciais da encoprese é ampla e variada, frequentemente interligada com fatores físicos, emocionais ou comportamentais. Uma das causas mais comuns é a constipação prolongada, que pode levar a um acúmulo de fezes no intestino grosso, gerando um endurecimento que dificulta a passagem. Esse bloqueio pode desencadear a perda de sensibilidade retal, fazendo com que a criança não perceba a necessidade de evacuar até que seja muito tarde. A resistência à ida ao banheiro, motivada por experiências dolorosas anteriores de evacuação ou por situações estressantes/ansiosas relacionadas ao uso do vaso sanitário, também é um fator relevante. Problemas dietéticos, como a ingestão insuficiente de fibras ou líquidos, podem contribuir para o surgimento da condição. Além disso, questões emocionais ou mudanças significantes na vida da criança, como o divórcio dos pais, nascimento de um irmão ou mudança de escola, podem desencadear episódios de encoprese. Em raros casos, condições médicas subjacentes, como anormalidades anatômicas no intestino ou problemas neurológicos, podem estar associadas à condição.

Como confirmar o diagnóstico

A confirmação do diagnóstico de encoprese geralmente começa com uma consulta médica detalhada, na qual o histórico de saúde da criança e o padrão de sintomas são cuidadosamente avaliados. O profissional de saúde pode realizar um exame físico focando especialmente no abdômen para detectar a presença de fezes retidas e na área anal para buscar evidências de irritação ou lesões. Em muitos casos, um histórico de constipação ou de passagem involuntária de fezes é suficiente para estabelecer o diagnóstico. Contudo, em situações em que a causa da encoprese não é clara ou quando se suspeita de problemas médicos subjacentes, podem ser solicitados exames complementares. Estes podem incluir radiografias do abdômen para visualizar a quantidade de fezes retida no cólon, exames de sangue para descartar condições como hipotireoidismo, e, em casos selecionados, mais testes específicos como manometria anorretal ou biópsia retal. Esses exames ajudam a eliminar a possibilidade de outras condições médicas e a confirmar a encoprese.

Como é feito o tratamento

O tratamento da encoprese foca em limpar o acúmulo de fezes no intestino, aliviar a constipação e retomar um padrão regular de evacuações. Inicialmente, pode ser necessária a ‘desobstrução’, que é frequentemente realizada com o uso de laxantes orais ou enemas prescritos por um profissional de saúde. Após a desobstrução, o tratamento segue com a manutenção de um plano que geralmente inclui mudanças na dieta, com aumento da ingestão de fibras e líquidos, além da criação de uma rotina de idas ao banheiro para estimular evacuações regulares. Medicamentos para manter as fezes macias podem ser recomendados para facilitar a passagem sem dor. Além do tratamento médico, o apoio comportamental e emocional é crucial. Técnicas de biofeedback, que ajudam a criança a ganhar consciência e controle sobre os músculos envolvidos na evacuação, podem ser úteis em alguns casos. Aconselhamento ou terapia podem ser indicados para lidar com qualquer ansiedade relacionada ao uso do banheiro ou questões emocionais subjacentes. A educação dos pais e cuidadores sobre como oferecer suporte de maneira positiva e não punitiva é essencial para o sucesso do tratamento.

Consequências da Encoprese

As consequências da encoprese vão além do desconforto físico, abrangendo impactos psicológicos e sociais significativos para a criança. Problemas de autoestima e imagem corporal podem surgir, já que a criança pode se sentir envergonhada ou frustrada com a situação. Isso pode levar ao isolamento social, onde a criança evita atividades fora de casa ou interações com os colegas por medo de um episódio de incontinência. Há também o risco de bullying ou de outros comportamentos hostis por parte dos colegas, que podem não entender a condição e reagir de maneira insensível. A encoprese sem tratamento pode prolongar a constipação e desencadear complicações como hemorroidas, fissuras anais ou retardo na capacidade de reconhecimento e resposta aos sinais de evacuação do corpo. O tratamento oportuno e adequado, portanto, é vital para minimizar esses impactos, promovendo não apenas a recuperação física, mas também a restauração da confiança e do bem-estar emocional da criança. A colaboração entre médicos, terapeutas, a família e a escola é essencial para criar um ambiente de suporte que encoraje a criança em sua jornada de recuperação.

Este conteúdo não deve ser usado como consulta médica. Para melhor tratamento, faça uma consulta com um médico.

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